Temporada de balanços revela que a qualidade do crédito e o risco de calotes desafiam as grandes instituições financeiras.

A temporada de balanços do terceiro trimestre de 2026 começou movimentada para o setor financeiro do país, com os grandes bancos registrando cifras multibilionárias. As instituições seguem operando em alta escala, mas os números recentes mostram que os ganhos já não bastam para tranquilizar os investidores na Bolsa.

O foco dos analistas migrou para a qualidade dos empréstimos e para o montante de recursos que os bancos podem acabar não recebendo. Essa mudança de prioridade coloca a gestão de risco e o controle da inadimplência no centro das atenções do mercado financeiro brasileiro.

O Bradesco abriu a temporada com lucro recorrente de R$ 7,1 bilhões, conforme informação divulgada por suno, evidenciando os desafios enfrentados pelas empresas do setor em meio à conjuntura econômica atual.

Lucro recorrente e alta nas provisões do Bradesco

O Bradesco BBDC4 reportou um crescimento de 14,6% em seu lucro recorrente em um intervalo de um ano, atingindo a marca de R$ 7,1 bilhões no período.

Apesar do avanço operacional, a inadimplência acima de 90 dias subiu para 4,6%, enquanto as despesas com provisões para perdas alcançaram R$ 10,6 bilhões.

O resultado expõe uma combinação delicada, onde o banco consegue ampliar seus negócios, mas precisa gastar mais para se proteger de possíveis calotes.

Segundo análise divulgada pelo Safra após o balanço, a disciplina de despesas ajudou a sustentar o resultado, embora a deterioração da carteira tenha elevado o custo do risco.

Desempenho misto e queda na rentabilidade do Santander

A preocupação ganhou força quando o Santander SANB11 divulgou lucro recorrente de R$ 2,9 bilhões, representando uma queda de 28% na comparação anual.

Mesmo reduzindo despesas e adotando critérios mais seletivos na concessão de crédito, o banco viu sua rentabilidade recuar para 11,9% no trimestre.

Rafael Reis, analista do BB Investimentos, classificou o desempenho como um resultado misto e ainda pouco inspirador para o mercado.

A instituição reduziu seu preço-alvo para as ações SANB11 de R$ 31,60 para R$ 29,50, mantendo uma recomendação neutra para os investidores.

Expectativas para Itaú e Banco do Brasil

Com os dois primeiros balanços conhecidos, as atenções do mercado se voltam agora para o Itaú ITUB4 e para o Banco do Brasil BBAS3.

Entre os grandes bancos, o Itaú aparece como o mais resiliente nas avaliações de casas como XP, BTG e Safra, com projeção de lucro de R$ 12,5 bilhões.

O cenário do Banco do Brasil é menos favorável devido à exposição ao agronegócio, com o BTG alertando para novas provisões elevadas e revisão de projeções.

O Relatório de Estabilidade Financeira do Banco Central indica que o sistema mantém capital confortável, mas lida com endividamento das famílias e pressão sobre empresas.

Perguntas Frequentes

Qual foi o lucro do Bradesco no terceiro trimestre de 2026?

O Bradesco registrou um lucro recorrente de R$ 7,1 bilhões, o que representou um crescimento de 14,6% na comparação anual.

Por que os investidores estão preocupados com os grandes bancos?

A preocupação principal reside na qualidade dos empréstimos, no aumento da inadimplência acima de 90 dias e na alta das provisões para perdas com crédito.

Como foi o desempenho do Santander na temporada de balanços?

O Santander teve lucro recorrente de R$ 2,9 bilhões, uma queda de 28% em relação ao ano anterior, com rentabilidade recuando para 11,9%.

Quais são as expectativas para o Itaú e o Banco do Brasil?

O Itaú é visto como o mais resiliente pelos analistas, enquanto o Banco do Brasil gera cautela devido à exposição a pagamentos em atraso no agronegócio.