Mineradora liderada por Gustavo Pimenta aposta em contratos de longo prazo e hedge para conter pressões inflacionárias.

A mineradora Vale (VALE3) espera registrar estabilidade em seus indicadores de custos no quarto trimestre de 2026. A projeção foi anunciada pelo diretor financeiro, Marcelo Bacci, após a companhia enfrentar forte pressão no terceiro trimestre devido à alta dos preços globais do petróleo.

Em teleconferência realizada nesta sexta-feira (30), o CEO Gustavo Pimenta e a diretoria detalharam as ações adotadas para proteger a competitividade da empresa. O foco central da gestão é entregar os volumes corretos com o custo e a qualidade adequados para maximizar a criação de valor, conforme informação divulgada por moeny times.

A alta do petróleo impactou diretamente o mercado marítimo por causa do bunker, o combustível utilizado pelos navios de carga. Enquanto a cotação do barril Brent subiu cerca de 34% em relação ao ano anterior, a companhia buscou alternativas estratégicas para mitigar esses impactos nos custos de produção e frete.

Estratégia de frete marítimo e hedge de petróleo

Para se proteger das oscilações do mercado, a Vale (VALE3) combinou contratos de longo prazo e operações financeiras. Cerca de 75% das necessidades de transporte marítimo da empresa estão cobertas, índice que supera 80% para o ano de 2027.

A utilização de acordos futuros de frete e de hedge de petróleo reduziu o custo all-in do minério de ferro de US$ 60,40 para US$ 59,00 por tonelada no terceiro trimestre. A gestão estima que essa estratégia marítima tenha evitado cerca de US$ 3 bilhões em custos ao longo de 2026.

Proteção cambial e impacto no caixa da companhia

Além do frete, a mineradora adotou fortes mecanismos de proteção cambial e de commodities. Para o quarto trimestre, a empresa possui cerca de US$ 700 milhões de exposição ao real protegida a uma taxa média de R$ 5,80 por dólar.

O programa global de hedge gerou US$ 249 milhões em benefícios de caixa no terceiro trimestre de 2026. No acumulado dos primeiros nove meses do ano, o valor somou US$ 702 milhões, englobando operações de petróleo, câmbio e outras frentes.

Projeções de custos para o minério de ferro

A expectativa da diretoria é que os custos operacionais do negócio de minério de ferro permaneçam dentro das faixas de projeção estabelecidas para o ano. O guidance revisado no segundo trimestre prevê o custo caixa C1 entre US$ 22,50 e US$ 23,50 por tonelada.

Para o custo all-in, que engloba despesas desde a mina até o porto além do frete marítimo, a estimativa oficial permaneceu fixada entre US$ 58 e US$ 62 por tonelada, garantindo maior previsibilidade financeira para os próximos trimestres.

Perguntas Frequentes

Por que os custos da Vale (VALE3) aumentaram no 3T26?

Os custos subiram principalmente devido à aceleração nos preços do petróleo, que impactou diretamente o valor do bunker, o combustível utilizado nos navios de frete marítimo.

Como a estratégia de hedge ajudou a Vale em 2026?

A estratégia de proteção evitou cerca de US$ 3 bilhões em custos e gerou US$ 702 milhões em benefícios de caixa nos primeiros nove meses do ano, mitigando impactos do câmbio e do petróleo.

Qual é a previsão da Vale para os custos no 4T26?

O CFO Marcelo Bacci prevê uma trégua e estabilidade nos custos durante o quarto trimestre de 2026, mantendo os indicadores dentro das faixas do guidance anual.