Mudança em normas do Banco Central altera estatísticas de crédito e revela forte pressão sobre a renda.
A inadimplência bancária aumentou no Brasil, mas quase metade da alta registrada desde o fim de 2024 tem uma explicação que vai além das dificuldades dos consumidores para pagar suas dívidas, conforme informação divulgada por suno.
Segundo análise divulgada pelo banco BTG Pactual, mudanças nas regras contábeis implementadas pelo Banco Central respondem por aproximadamente 45% do avanço do indicador de atrasos até junho de 2026.
O levantamento detalha que o cenário combina novos critérios técnicos de registro com o crescimento real do endividamento, exigindo atenção redobrada dos especialistas e consumidores diante da economia atual.
Impacto das novas regras contábeis nos bancos
Desde janeiro de 2025, a Resolução CMN nº 4.966 alterou os critérios utilizados pelas instituições financeiras para retirar empréstimos de difícil recuperação de seus balanços e estatísticas oficiais.
Assinada pelos analistas Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Antonio Pascale, a pesquisa aponta que os contratos podem permanecer contabilizados por mais tempo se houver expectativa de recuperação.
Dessa forma, empréstimos antigos continuam aparecendo nas estatísticas, sendo que 0,78 ponto percentual da alta de 1,76 ponto percentual veio exclusivamente dessa alteração contábil nos registros.
Comprometimento da renda das famílias de baixa renda
O segundo grande alerta do relatório do BTG Pactual foca nas finanças pessoais e no orçamento doméstico dos tomadores de crédito com menor poder aquisitivo no país.
Entre os cidadãos com renda de até dois salários mínimos, o comprometimento mensal com dívidas saltou para 42% em junho de 2026, mostrando uma pressão considerável sobre as famílias.
Somente os pagamentos de cartão de crédito e empréstimos pessoais não consignados já absorvem 24,6% da renda desse grupo, refletindo o uso intenso de linhas de crédito caras.
Resiliência do sistema financeiro e perspectivas
Apesar da forte pressão sobre os consumidores de menor renda, o Banco Central avalia que o sistema financeiro brasileiro permanece com níveis adequados de capital e liquidez.
A autoridade monetária adotou medidas focadas na transparência da concessão de empréstimos, visando conter ofertas inadequadas a clientes considerados financeiramente vulneráveis no mercado nacional.
Especialistas reforçam que o cenário exige acompanhamento contínuo nos próximos trimestres, principalmente devido às condições restritivas e às projeções de desaceleração econômica futura.
Perguntas Frequentes
Por que a inadimplência bancária subiu no Brasil?
O aumento ocorreu devido a uma deterioração efetiva dos pagamentos e também a mudanças nas regras contábeis do Banco Central, que mantêm empréstimos atrasados nos balanços por mais tempo.
Qual é o impacto das novas regras contábeis?
As normas alteradas em 2025 respondem por cerca de 45% da alta registrada no indicador de inadimplência até junho de 2026, segundo estudo do BTG Pactual.
Quanto da renda das famílias de baixa renda está comprometida com dívidas?
Entre os trabalhadores que ganham até dois salários mínimos, o comprometimento mensal com dívidas atingiu 42% em junho de 2026.


