Especialistas em segurança cibernética apontam que grupos norte-coreanos financiam armas com bilhões roubados.

Especialistas em segurança cibernética afirmam que hackers da Coreia do Norte estão entre os criminosos mais prolíficos do mundo no roubo de ativos digitais, conforme apontam investigações recentes de segurança.

Os recursos financeiros obtidos por meio de ataques cibernéticos a corretoras globais são direcionados para financiar o programa de armamentos do regime de Kim Jong Un.

As informações detalhadas sobre a atuação desses grupos criminosos foram divulgadas pela empresa money, reunindo dados de instituições especializadas em blockchain e segurança da informação.

Atuação do grupo TraderTraitor

As empresas de investigação TRM Labs e Chainalysis atribuem grande parte dos crimes ao grupo norte-coreano conhecido como TraderTraitor, citado em alertas anteriores do FBI, da CISA e do Tesouro dos EUA.

Segundo Michael Barnhart, pesquisador da DTEX, o coletivo é o grupo mais competente do regime no setor financeiro, integrando ex-membros da unidade APT38, especializada em ataques cibernéticos bancários.

O grupo utiliza softwares maliciosos e abordagens falsas em processos de recruta, visando desenvolvedores de software para obter credenciais de acesso em empresas de criptomoedas e infraestrutura financeira distribuída.

Volume de criptomoedas roubadas

Relatórios da Chainalysis indicam que a Coreia do Norte acumulou pelo menos US$ 6,75 bilhões em criptomoedas até o final de 2025, somando invasões de grande repercussão em corretoras internacionais.

A corretora ByBit sofreu um prejuízo de US$ 1,5 bilhão em fevereiro de 2025, enquanto a Bitget registrou a perda de US$ 387 milhões em setembro do mesmo ano, elevando o total mínimo roubado.

O pesquisador Michael Barnhart estima que o volume total de criptomoedas desviadas alcance cerca de US$ 13,5 bilhões, incluindo o histórico roubo de US$ 6,3 bilhões da Binance.

Lavagem de dinheiro e redes sociais

Após concretizarem os furtos digitais, os operadores repassam os valores para grupos chineses de lavagem de dinheiro ligados ao crime organizado internacional, de acordo com as investigações.

O FBI relatou que cidadãos norte-coreanos também aceitam empregos remotos em empresas de tecnologia ocidentais para extrair dados confidenciais e remeter recursos diretamente ao governo de seu país.

Rafe Pilling, da Sophos, destaca que os criminosos demonstram enorme perícia ao compreender os mecanismos internos de aprovação de transferências financeiras das empresas afetadas.

Impacto na segurança nacional global

Um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA classificou as ações como um problema global grave para burlar sanções internacionais impostas ao governo de Pyongyang.

O dinheiro arrecadado sustenta diretamente os programas de mísseis balísticos, armas nucleares e a produção de drones militares exigidos pelo líder Kim Jong Un.

Adicionalmente, os lucros cibernéticos financiam o envio de tropas, munições e componentes bélicos para apoiar os esforços de guerra da Rússia, transformando o cibercrime em uma questão de segurança nacional.

Perguntas Frequentes

Como os hackers norte-coreanos invadem corretoras de criptomoedas?

Os invasores usam softwares maliciosos, engenharia social e ofertas de emprego falsas para atingir desenvolvedores de TI, obtendo credenciais de acesso e dados confidenciais.

Quanto dinheiro a Coreia do Norte já roubou em criptomoedas?

Especula-se que o montante total roubado alcance cerca de US$ 13,5 bilhões, com grandes desvios em corretoras globais como Binance, ByBit e Bitget.

Qual é o objetivo dos roubos cibernéticos norte-coreanos?

Os recursos obtidos nos crimes ajudam a financiar os programas de armamentos nucleares, mísseis balísticos e suporte militar externo do regime de Kim Jong Un.

Quais empresas investigam os ataques cibernéticos da Coreia do Norte?

Organizações como TRM Labs, Chainalysis, DTEX e Sophos realizam o monitoramento e a investigação das atividades dos grupos cibernéticos norte-coreanos.