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CARTÃO DE CRÉDITO

Galípolo acende alerta sobre crédito e prepara novas medidas do BC para conter endividamento das famílias

O mercado de trabalho melhorou, a renda das famílias avançou e o crédito continua crescendo. Ainda assim, o endividamento não dá sinais de trégua — e, em alguma

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5 de outubro de 2026 às 11:53
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Galípolo acende alerta sobre crédito e prepara novas medidas do BC para conter endividamento das famílias

Presidente do BC vê um descompasso na inadimplência e prepara novas medidas para atacar o problema O mercado de trabalho melhorou, a renda das famílias avançou e o crédito continua crescendo. Ainda assim, o endividamento não dá sinais de trégua — e, em algumas modalidades, aumenta justamente onde os juros são mais altos e o risco para o consumidor é maior. É esse descompasso que começou a preocupar o Banco Central. Na abertura da Febraban Tech 2026, nesta segunda-feira (24), em São Paulo, o presidente Gabriel Galípolo afirmou que o BC prepara novas medidas para lidar com o avanço do crédito de maior risco. “Não dá para ficar contente porque o crédito cresceu e depois reclamar que o endividamento cresceu”, disse Galípolo. ## Galípolo resume o novo desafio que se coloca para a autoridade monetária Depois de anos de avanço da inclusão financeira e de ampliação do acesso ao crédito, o foco agora passa a ser também a qualidade desse acesso — ou seja, se o consumidor está contratando a modalidade adequada ao seu perfil e à sua capacidade de pagamento.

E parte dessa história começa justamente com uma das maiores transformações do sistema financeiro brasileiro nos últimos anos: o Pix. Mais do que uma infraestrutura de pagamentos, o Pix se tornou uma porta de entrada para o sistema financeiro. Ao facilitar pagamentos e aproximar milhões de brasileiros dos bancos, a ferramenta também ajudou a ampliar o acesso a outros produtos financeiros — entre eles o cartão de crédito. ## Mega-Sena acumulada se aproxima dos R$ 100 milhões e cola de vez na +Milionária ## Eleições 2026: como fazer sua ‘colinha’ para votar? Veja a ordem dos candidatos na urna É uma espécie de efeito colateral da inclusão: mais pessoas passaram a ter acesso ao sistema financeiro, mas também ficaram mais expostas a formas de crédito que podem se tornar caras quando utilizadas de maneira inadequada.

Por isso, a próxima etapa, na visão de Galípolo, não é simplesmente colocar mais brasileiros dentro do sistema. É fazer com que eles saibam navegar por ele. “A inclusão ocorreu e foi importante. Agora as pessoas precisam conhecer melhor o suitability e a linha adequada para usar esses serviços de maneira consciente”, afirmou. ## O paradoxo que entrou no radar do Banco Central Galípolo chamou atenção para uma combinação que, à primeira vista, deveria jogar a favor das famílias: renda em alta e desemprego baixo. Ainda assim, o endividamento permanece pressionado. “Por que, em um cenário de renda crescente e desemprego caindo, essa renda não foi revertida para reduzir o endividamento?”, questionou.

A resposta passa, na avaliação do BC, pelo tipo de crédito que ganhou espaço nos últimos anos. O problema não é necessariamente tomar dinheiro emprestado para comprar um imóvel, por exemplo. Nesse caso, a dívida vem acompanhada da formação de um patrimônio. O alerta está no crédito usado para financiar despesas recorrentes ou um consumo que desaparece rapidamente — sobretudo quando a operação tem juros altos e não conta com garantias. “O problema é estar endividado com alguma coisa que não está constituindo um ativo, é um consumo efêmero e que vai virar um problema, especialmente com uma taxa de juros mais elevada ou com uma linha de crédito que não é adequada”, afirmou.

É aí que entram algumas das modalidades que mais preocupam a autoridade monetária. ## Cartão de crédito e consignado viram pontos de atenção O cartão de crédito é um dos principais exemplos. Dos 96 milhões de usuários da modalidade no país, 52,8 milhões carregam dívidas no rotativo ou em parcelamentos com juros, segundo Galípolo. O comprometimento da renda com cartão chegou a 54%, enquanto os juros mensais do rotativo alcançam 15,1%. O quadro também chama atenção no consignado privado.

Segundo os dados apresentados pelo presidente do BC, a carteira saltou de R$ 41 bilhões em março de 2025 para R$ 102 bilhões em maio de 2026, uma alta de 145%. No mesmo intervalo, a inadimplência passou de 5% para 6,7%, enquanto a taxa média de juros subiu de 40,9% para 57%. O crédito pessoal sem garantia é outro foco de preocupação. O empréstimo pessoal vinha crescendo cerca de 20% ao ano até dezembro de 2024 e chegou a uma carteira de aproximadamente R$ 400 bilhões em maio de 2026.

Desse total, cerca de R$ 275 bilhões não tinham garantia. E a diferença de preço é brutal. Segundo Galípolo, a taxa passa de cerca de 27% nas operações com garantia para mais de 140% nas que não contam com colateral. Para o presidente do BC, os números mostram que o risco associado à operação pode ser mais importante para o custo do crédito do que a própria taxa básica de juros.

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações. ## Seu Dinheiro é finalista do Prêmio +Admirados da Imprensa de Economia, Negócios e Finanças 2026; veja como votar ## Pé-de-Meia outubro 2026: veja quem recebe a sétima parcela e as datas de depósito ## Recuperação do setor de shoppings anima BB Investimentos; veja por que Allos (ALOS3) e Multiplan (MULT3) tiveram preços-alvo elevados ## Já não basta bater recorde para a Embraer (EMBJ3)?

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Conteúdo originalmente publicado por seudinheiro. Reproduzido com fins informativos.

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