Ministro critica pressão fiscal sobre os mais pobres e mira R$ 600 bilhões em desonerações.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou recentemente ver uma chantagem do mercado na forte pressão exercida por ajuste fiscal no próximo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em entrevista concedida à Folha de S.Paulo, o ministro defendeu que eventuais cortes de gastos públicos sejam direcionados estritamente a privilégios, evitando prejudicar políticas sociais voltadas para a população de menor renda.

O debate ocorre em um cenário de avanço do endividamento público brasileiro, conforme informação divulgada por money.

Revisão de desonerações fiscais e supersalários

Segundo Guilherme Boulos, o governo federal deve priorizar benefícios e distorções que pressionam as contas públicas, citando os dados oficiais sobre gastos tributários previstos para os próximos anos.

O ministro destacou que o Executivo precisa avaliar os quase R$ 600 bilhões em desonerações fiscais concedidos anualmente, valor que encontra respaldo em estimativas recentes do Tribunal de Contas da União.

Além das renúncias fiscais, Guilherme Boulos colocou na mesa de discussões o combate aos supersalários no setor público e a necessidade de rever o montante destinado às emendas parlamentares federais.

Cenário da dívida pública e pressão do mercado

A discussão econômica ganha força diante do avanço da dívida bruta do governo geral, que passou de 71,7% do PIB no final de 2022 para 82,9% em setembro, segundo dados divulgados pelo Banco Central.

Bancos, gestores de fundos e agências globais de classificação de risco, como a Fitch, têm cobrado maior transparência e medidas concretas do governo para estabilizar a trajetória do endividamento.

Em sua avaliação, Guilherme Boulos argumentou que a dívida do Brasil deve ser comparada com a de outras grandes economias, criticando propostas de ajuste que recaiam sobre serviços essenciais.

Articulação política e governança digital

No campo político, o ministro minimizou disputas sobre a sucessão presidencial e defendeu que a prioridade da esquerda seja a sustentação do quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Para enfrentar um Congresso Nacional considerado desafiador para a pauta econômica, Guilherme Boulos afirmou que a governabilidade precisará ser feita com o apoio das ruas e das redes sociais.

Ele também elogiou a estratégia de mobilização digital utilizada durante a campanha eleitoral, destacando o papel desempenhado pelo deputado federal André Janones.

Perguntas Frequentes

O que Guilherme Boulos falou sobre o ajuste fiscal?

O ministro Guilherme Boulos afirmou que a pressão do mercado por ajuste fiscal representa uma chantagem e defendeu que os cortes recaiam sobre privilégios e desonerações, e não sobre os mais pobres.

Qual é o valor das desonerações fiscais citado pelo governo?

Segundo Guilherme Boulos, o país possui quase R$ 600 bilhões por ano em desonerações fiscais, valor que é alvo de debates para a revisão de gastos públicos federais.

A quanto chegou a dívida bruta do Brasil recentemente?

Dados do Banco Central mostram que a dívida bruta do governo geral atingiu 82,9% do Produto Interno Bruto, equivalente a R$ 11,1 trilhões, impulsionando os debates sobre a economia.