Estudo aponta que centenas de FIIs brasileiros podem mudar de categoria com base em resultados reais e auditados.
Uma nova metodologia para classificar os fundos imobiliários brasileiros indicou que 113 dos 303 FIIs avaliados podem receber uma categoria diferente daquela hoje associada ao seu mandato de investimento, conforme levantamento divulgado em outubro.
O estudo foi conduzido pela Latin America REITs Association (Lareal), que apresentou um modelo baseado em informações financeiras auditadas para facilitar a comparação entre carteiras e atrair investidores estrangeiros, conforme informação divulgada por suno.
O movimento ocorre em meio à expansão do mercado nacional, impulsionada pelo crescimento no número de investidores na B3, que passou de aproximadamente 630 mil no fim de 2019 para mais de 3,3 milhões em setembro de 2026.
Como funciona a nova classificação de FIIs
A principal mudança está no uso dos resultados efetivamente registrados pelos FIIs, em vez de considerar apenas seus regulamentos ou estratégias declaradas pelas instituições gestoras.
A metodologia prioriza o resultado do exercício discriminado por origem econômica. Pelo modelo da Lareal, um fundo será classificado conforme a atividade responsável por, no mínimo, 75 por cento de seu resultado imobiliário anual.
As categorias previstas no novo padrão são Tijolo, Papel, Fundo de Fundos e Desenvolvimento. Se nenhuma atividade atingir esse patamar, o fundo será enquadrado como Multiestratégia, com subdivisões para características específicas.
Impacto da padronização no dividend yield
A padronização pretende facilitar a identificação das principais origens do resultado imobiliário, distinguindo fundos cujos lucros decorrem majoritariamente de aluguéis daqueles que obtêm rendimentos via crédito.
A diferenciação é relevante na comparação do dividend yield, indicador que relaciona rendimentos distribuídos ao preço das cotas, permitindo que os investidores analisem fatores de risco distintos com mais precisão.
Para evitar trocas frequentes de categoria, a entidade definiu que um fundo só deixará sua classe quando permanecer abaixo de 70 por cento de participação no resultado correspondente por dois anos consecutivos.
Alinhamento com o padrão internacional de REITs
Outro objetivo da metodologia é aproximar a classificação brasileira dos critérios utilizados no exterior, estabelecendo correspondências diretas com os mercados globais.
A iniciativa mapeia equivalências entre fundos de tijolo e Equity REITs, fundos de papel e Mortgage REITs, além de fundos multiestratégia e Diversified REITs, segundo explicou Potyguara Camargo, presidente da Lareal.
Contudo, essas equivalências não asseguram a inclusão automática dos FIIs brasileiros em índices internacionais, que exigem requisitos próprios relacionados a patrimônio líquido e volume de negociação.
Perguntas Frequentes
O que é a nova metodologia da Lareal para FIIs?
É um modelo de classificação de fundos imobiliários baseado em resultados financeiros auditados, priorizando a atividade responsável por ao menos 75 por cento do resultado anual.
Quantos fundos imobiliários podem mudar de categoria?
O estudo conduzido pela Latin America REITs Association apontou que 113 dos 303 FIIs avaliados podem receber uma classificação diferente da atual.
Como a nova regra afeta os investidores da B3?
A padronização facilita a identificação da origem dos rendimentos e a análise do dividend yield, permitindo comparar melhor os riscos das carteiras.
Quais gestoras já aplicam a nova classificação?
A metodologia já está sendo aplicada aos fundos de gestoras associadas à Lareal, como Pátria, TRX, Valora, Vinci Compass, Guardian, Alianza e Zagros.


