Plano do economista para conter a dívida pública divide opiniões entre aliados de Lula e o mercado financeiro.
Uma proposta radical para reduzir os juros e frear o crescimento da dívida pública colocou o economista André Lara Resende no centro do debate econômico brasileiro nos últimos dias.
O plano do ex-formulador do Plano Real sugere que o Banco Central leve a taxa Selic para 7,5% ao ano em um prazo de doze meses, gerando forte repercussão política em Brasília e apoio dentro do Partido dos Trabalhadores.
A discussão expõe duas visões distintas sobre o desequilíbrio fiscal do país, conforme informação divulgada por moeny times.
André Lara Resende e a proposta de corte na Selic
Em artigo recente intitulado Eu Acuso, André Lara Resende defende que a taxa Selic seja reduzida gradualmente para patamares entre 3% e 5,5% ao ano, amparada por um novo conselho fiscal.
Para o economista, os juros elevados são o principal motor da dívida pública e a verdadeira causa do déficit nominal brasileiro, superando os problemas tradicionais de gastos primários.
Ele argumenta que a redução do juro básico é a solução definitiva para o desequilíbrio fiscal, barateando o custo de carregamento da dívida do Tesouro Nacional.
Reação do mercado e críticas à Selic baixa
Apesar da repercussão positiva entre aliados do governo, a proposta enfrenta forte resistência de gestores e economistas do mercado financeiro tradicional.
Especialistas ouvidos pela Folha de S.Paulo alertam que uma queda forçada dos juros sem ajuste fiscal consistente pode desancorar expectativas e pressionar o câmbio.
Críticos apontam que o Banco Central perderia margem de manobra e investidores exigiriam prêmios maiores em títulos de longo prazo, anulando o efeito benéfico.
Apoio político no PT e negativa da Fazenda
A discussão ganhou tração política após manifestações públicas de apoio da dirigente partidária Gleisi Hoffmann às ideias de André Lara Resende.
Apesar do entusiasmo de alas governistas, o secretário executivo Dario Durigan negou a existência de planos para um tabelamento de juros e descartou reuniões recentes com o autor.
O debate ocorre em um momento sensível de expectativas sobre os rumos da economia e a condução da política monetária pelo Copom.
Perguntas Frequentes
Qual é a proposta de André Lara Resende para a taxa Selic?
O economista propõe que o Banco Central reduza a taxa Selic para 7,5% ao ano em cerca de 12 meses, caminhando posteriormente para uma faixa entre 3% e 5,5% ao ano.
Por que o economista culpa os juros pela dívida pública?
Ele argumenta que o déficit nominal brasileiro é fortemente puxado pelos encargos da dívida, tornando o custo dos juros a maior despesa do Estado brasileiro.
O governo vai adotar a proposta de juros a 7,5%?
Não. O Ministério da Fazenda, representado por Dario Durigan, negou que exista qualquer proposta de tabelamento de juros em discussão no governo de Luiz Inácio Lula da Silva.


