Mecanismo de recolhimento automático de impostos gera debate sobre o impacto no caixa das empresas e no crédito.

O split payment tornou-se o centro de um intenso debate político e econômico no Brasil, colocando em lados opostos a campanha de Flávio Bolsonaro e o governo Lula.

A discussão envolve os reflexos da ferramenta sobre o fluxo de caixa corporativo, com previsões de que a separação imediata de tributos reduza recursos para manter operações comerciais.

A polêmica ganhou força em meio às discussões sobre a reforma tributária, conforme informação divulgada por seudinheiro.

Impacto do split payment no capital de giro

O assessor econômico da FecomércioSP, Fábio Pina, aponta que o split payment cria um grande problema para o fluxo de caixa, principalmente em setores dependentes de prazos comerciais.

No sistema atual, as empresas mantêm o dinheiro das vendas por períodos que variam de 15 a 90 dias antes de recolher os impostos ao governo, ajudando a financiar as despesas diárias.

Com a implementação prevista a partir de 2027, a parcela do IBS e da CBS será separada na liquidação, elevando a busca por crédito bancário em um cenário de juros altos.

Divergência entre Flávio Bolsonaro e governo Lula

Na terça-feira, Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro, afirmou que um eventual governo do candidato acabaria com a ferramenta por asfixiar os pequenos negócios.

Em resposta, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, rebateu as críticas ao declarar que ser contra o mecanismo significa favorecer a sonegação e empresas noteiras.

Na quinta-feira, Flávio Bolsonaro reforçou as críticas, enquanto o deputado Luiz Carlos Hauly defendeu a medida como peça necessária para viabilizar o novo Imposto sobre Valor Agregado.

Posicionamento do Ministério da Fazenda e cronograma

O secretário Dario Durigan afirmou que o governo está aberto ao diálogo com empresários para discutir ajustes no mecanismo e nos prazos, mas sem abandonar a proposta.

O cronograma inicial prevê uma adoção gradual a partir de 2027, focada inicialmente em operações entre empresas, com obrigatoriedade geral transferida para 2028 pela Receita Federal.

Especialistas como Halley Henares Neto, da Abat, e Igor Barenboin, da Reach Capital, alertam para a complexidade tecnológica e os custos adicionais que devem ser repassados ao consumidor.

Perguntas Frequentes

O que é o split payment na reforma tributária?

É um mecanismo de recolhimento automático de tributos como IBS e CBS no momento exato em que uma venda é paga, transferindo o valor diretamente ao governo.

Por que o split payment gera críticas de empresários?

Críticos argumentam que a retenção imediata dos impostos reduz o capital de giro das empresas e eleva a necessidade de buscar empréstimos bancários.

Qual é a posição do governo Lula sobre o mecanismo?

O governo defende a ferramenta como essencial para combater a sonegação fiscal, embora admita negociar ajustes de prazos e detalhes técnicos com o empresariado.