Assembleia da Raízen em outubro define reestruturação, mas credores seguem sem garantia de quanto vão recuperar ao final.

A recuperação extrajudicial da Raízen (RAIZ4) deu um passo importante com o avanço para a implementação do plano de reestruturação financeira da companhia, conforme informação divulgada por seudinheiro.

A assembleia geral extraordinária que vai deliberar sobre as mudanças necessárias foi marcada para o próximo dia 30 de outubro, envolvendo conversão de dívidas, capitalização e reorganização societária.

Para os analistas do BB Investimentos, o avanço reduz incertezas sobre a execução do plano, mas ainda deixa em aberto qual será o valor efetivamente recuperado pelos credores ao fim do processo.

Avanços na reestruturação e assembleia de outubro

O principal marco desta etapa é a assembleia marcada para 30 de outubro, quando os acionistas votarão o aumento do capital autorizado, a criação de units e a nova classe de ações preferenciais.

Também está prevista a reformulação da governança com um novo conselho de administração, o que pode aumentar a proteção dos credores que se tornarão acionistas após a conversão de seus créditos.

A proposta inclui ainda uma redução de capital de até R$ 35 bilhões para separar as atividades de distribuição de combustíveis dos negócios de produção de energia e açúcar da Raízen Energia.

Situação financeira e ratings das agências

Apesar dos avanços na reestruturação, o BB Investimentos destaca que a qualidade de crédito da companhia continua em níveis extremamente deteriorados, sem melhora substancial na saúde financeira.

As agências de classificação de risco mantêm notas baixas para a empresa, refletindo a elevada vulnerabilidade financeira, com a Fitch em C (bra), a Moody's Local em CC.br e a S&P Global em SD.

Mesmo com o cenário adverso, os analistas avaliam que o processo atual é menos prejudicial do que seria uma recuperação judicial tradicional, que costuma ser mais longa e litigiosa.

Impacto para acionistas e credores da empresa

Para os investidores em ações, as propostas confirmam uma forte diluição e a perda de influência dos atuais acionistas diante do novo cenário de reequilíbrio financeiro da companhia.

Para os bondholders, o avanço é visto como construtivo, viabilizando a conversão de créditos, mas o desfecho final permanece dependente da capitalização e do desempenho dos ativos após a segregação.

A empresa também avalia os próximos passos para a listagem de subsidiárias na B3, enquanto busca contornar sua crise financeira por meio de medidas estruturais e reorganização de negócios.

Perguntas Frequentes

Quando será a assembleia da Raízen (RAIZ4)?

A assembleia geral extraordinária da Raízen que vai deliberar sobre as mudanças do plano de recuperação extrajudicial foi marcada para o dia 30 de outubro.

O que os credores vão recuperar no fim do processo?

Segundo o BB Investimentos, o valor final de recuperação para os credores ainda é incerto e depende da capitalização, da alocação de dívidas e do desempenho dos ativos.

Como as agências de classificação de risco avaliam a Raízen? A Fitch classifica a empresa como C (bra), a Moody's Local como CC.br e a S&P Global atribui nota SD, indicando situação financeira bastante fragilizada.