Bancos preparam agentes de IA para substituir menus e transformar conversas em operações financeiras seguras.

A inteligência artificial está prestes a transformar o setor financeiro brasileiro ao retirar o aplicativo tradicional do centro da relação com o consumidor. Nos próximos meses, grandes instituições planejam adotar agentes de IA capazes de compreender intenções complexas e executar tarefas de forma autônoma.

A mudança promete substituir cliques e menus por conversas diretas, permitindo que o cliente diga o que deseja e delegue à tecnologia a pesquisa de alternativas e a execução de operações financeiras. A transformação redefine a estratégia digital de gigantes do mercado, conforme informação divulgada por seudinheiro.

Executivos de grandes bancos apontam que a principalidade no setor deixará de depender apenas da interface do aplicativo. No futuro, a preferência do consumidor será conquistada pela instituição capaz de garantir confiança e transparência na era dos agentes inteligentes.

O fim dos aplicativos de banco tradicionais

Para Patricia Kessler, diretora de Bradesco Experience, o aplicativo continuará sendo estratégico, mas sua função principal passará por uma mudança profunda. O banco enxerga que o próximo ponto de entrada do sistema financeiro será uma conversa, e não mais um botão na tela do celular.

Eduardo Sasaki, diretor de Data e AI do Santander Brasil, compartilha da mesma visão sobre o futuro da inteligência artificial no setor bancário. O executivo destaca que o canal do banco evoluirá para uma plataforma orientada a objetivos, interpretando desejos como investimentos e financiamentos.

No modelo agêntico promovido pelas instituições, o cliente expressa uma intenção e a tecnologia descobre o caminho ideal para alcançar o resultado. Esse formato vai além de um simples chatbot, pois envolve assessoria especializada e execução de aportes mediante autorização prévia.

A disputa pela confiança e principalidade

Durante anos, ter o aplicativo aberto no smartphone garantiu a distribuição de produtos financeiros, crédito e investimentos. Com a chegada dos agentes de inteligência artificial, essa lógica comercial começa a sofrer alterações significativas no mercado nacional.

Patricia Kessler reforça que, no passado, a principalidade pertencia a quem controlava a distribuição digital. No cenário futuro, a preferência do cliente pertencerá estritamente a quem mantiver níveis elevados de confiança e segurança institucional.

Isso significa que o usuário poderá passar longos períodos sem abrir diretamente o aplicativo do seu banco de preferência. Mesmo distante da interface tradicional, a instituição continuará sendo a principal referência financeira por meio da atuação dos agentes inteligentes.

Agente contra agente no ecossistema financeiro

Um dos desdobramentos mais avançados dessa tecnologia envolve a comunicação direta entre o agente de IA do cliente e os sistemas dos bancos. O consumidor poderá delegar a uma inteligência artificial própria a missão de buscar as melhores condições de crédito no mercado.

Eduardo Sasaki avalia que o Open Finance no Brasil já serve como uma prévia desse ambiente de integração entre diferentes plataformas. A tecnologia permite que diferentes sistemas troquem informações com rapidez e segurança para otimizar a vida financeira do usuário.

No entanto, a interação entre máquinas exige protocolos rígidos de transparência, limites operacionais claros e explicabilidade nas decisões. Rafael Cavalcanti, diretor de Inteligência de Dados e CRM do Bradesco, ressalta que a construção de padrões de consentimento é fundamental para viabilizar esse ecossistema.

Perguntas Frequentes

Os aplicativos de banco vão acabar com a inteligência artificial?

Não, os aplicativos não vão acabar, mas sua função principal vai mudar. Eles deixarão de ser catálogos de produtos com menus complexos para se tornarem plataformas orientadas a objetivos e conversas.

Como funcionam os agentes de IA nos bancos Bradesco e Santander?

Os agentes de IA interpretam intenções do cliente, como investir ou organizar finanças, pesquisam alternativas e executam operações financeiras mediante autorização prévia do usuário.

O que é a principalidade bancária na era da IA?

É o grau de concentração da vida financeira do cliente em uma instituição. No futuro da inteligência artificial, ela deixará de depender da interface do app e passará a depender da confiança.

O Open Finance ajuda na chegada dos agentes de IA?

Sim, o Open Finance serve como base para conectar diferentes sistemas e permitir que agentes de inteligência artificial comparem produtos e realizem operações entre diferentes instituições financeiras.