Opções de Itaú, BB e Petrobras disparam após eleição; Vale cai até 57%
O que antes da eleição era um exercício de cenário virou preço de mercado nesta segunda-feira (5). Opções de compra de Itaú (ITUB4), Banco do Brasil (BBAS3) e P


O que antes da eleição era um exercício de cenário virou preço de mercado nesta segunda-feira (5). Opções de compra de Itaú (ITUB4), Banco do Brasil (BBAS3) e Petrobras (PETR4) registram altas de dois e até três dígitos no primeiro pregão após o primeiro turno, enquanto contratos ligados à Vale (VALE3) seguem na direção oposta. Por volta das 11h50, a ITUBJ49, uma das opções acompanhadas pelo InfoMoney, avançava 386,11%, a R$ 1,75. Outros dois contratos de Itaú subiam 293,62% e 252,50%.
No Banco do Brasil, a BBASJ270 ganhava 180%, enquanto as opções de Petrobras avançavam até 137,08%. Na outra ponta, contratos de Vale acumulavam perdas de até 56,60%. Os movimentos mostram uma das principais características desse mercado: por serem instrumentos alavancados, as opções podem oscilar muito mais do que as próprias ações. Prazo até o vencimento, distância em relação ao preço de exercício — o chamado strike — e volatilidade esperada também interferem nas cotações.
Os percentuais abaixo representam uma fotografia do mercado próxima das 11h50 e podem mudar rapidamente durante o pregão. ## Ibovespa Hoje Ao Vivo: Ibovespa tem dia de euforia e chega aos 209 mil pontos Bolsa brasileira ganha mais de 17 mil pontos na sessão de hoje ## Flávio à frente de Lula testa aposta dos multimercados na Bolsa via opções Fundos tinham exposição limitada a renda variável brasileira até o fim de setembro, mês em que retornos voltaram a aparecer nas carteiras ## Itaú lidera disparada das opções Os movimentos mais fortes aparecem nas opções de Itaú com prazo mais curto. A ITUBJ49, com strike de R$ 49,03, avançava 386,11%, para R$ 1,75. A ITUBJ466, de strike a R$ 46,53, subia 293,62%, enquanto a ITUBJ505, com exercício a R$ 45,79, ganhava 252,50%. A ITUBJ49 chama atenção porque, no cenário traçado antes da eleição, aparecia entre as alternativas de maior risco.
Mesmo em uma hipótese de alta de 10% de ITUB4, ela poderia terminar fora do dinheiro (out of the money, ou OTM) caso a ação não ultrapassasse seu strike no vencimento. Isso não impede, porém, que o contrato se valorize fortemente antes dessa data. Enquanto ainda há tempo até o vencimento, a opção incorpora também a probabilidade de a ação alcançar determinado nível. É essa combinação que permite que um contrato negociado inicialmente por poucos centavos apresente ganhos de centenas por cento sem que a ação tenha movimento semelhante. ## BB: contrato mais agressivo sobe 147% No Banco do Brasil, o destaque era a BBASJ270, que avançava 180%, para R$ 1,96.
O contrato tem strike de R$ 25,04 e já aparecia antes da votação entre as alternativas mais sensíveis da seleção acompanhada, justamente pela proximidade do preço de exercício em relação a um cenário de forte valorização de BBAS3. Quando a ação se aproxima rapidamente do strike, a sensibilidade da opção pode aumentar. É o efeito associado ao gama, medida que mostra como se altera o delta — a reação do preço da opção aos movimentos da ação. Os vencimentos mais longos também apresentavam fortes ganhos.
A BBASK259 avançava 90,08%, enquanto a BBASK260 subia 83,85%. Antes do primeiro turno, as opções de BBAS3 já vinham precificando prêmio de risco elevado, refletindo a maior incerteza do mercado em relação aos movimentos do papel no período eleitoral. ## Petrobras: opções curtas sobem mais A Petrobras também ganhou força ao longo da manhã. A PETRJ550, com strike de R$ 53,86, avançava 137,08%, para R$ 2,11. A PETRJ541, com exercício a R$ 52,36, subia 129,58%, a R$ 3,26.
Nos vencimentos mais longos, a reação era menos intensa, embora ainda expressiva. A PETRK576 ganhava 65,52% e a PETRK541 avançava 62,26%. A diferença ajuda a mostrar o efeito do prazo. Opções mais próximas do vencimento tendem a reagir de maneira mais agressiva quando o preço da ação se aproxima do strike.
Já contratos mais longos carregam mais valor de tempo e, em geral, apresentam menor explosão percentual em um único movimento. Petrobras também chegou à eleição com forte aumento do risco precificado. No acompanhamento realizado antes da votação, a volatilidade implícita das opções de PETR4 havia saído de uma região próxima de 29% para cerca de 47%. ## Vale vai na direção oposta Enquanto Itaú, Banco do Brasil e Petrobras mostram o lado positivo da alavancagem, as opções de Vale ilustram o movimento inverso. A VALEJ779 recuava 56,60%, para R$ 0,23.
A VALEJ754 perdia 55,38%, enquanto a VALEJ799 caía 51,85%. O contrato de prazo maior, VALEK743, também recuava, mas em menor intensidade: 43,14%, para R$ 1,45. A diferença reforça que a reação pós-eleição não é uniforme entre os ativos. Enquanto bancos e Petrobras têm maior sensibilidade à reprecificação do cenário doméstico, a Vale segue mais ligada à dinâmica do minério de ferro e às expectativas para a economia chinesa.
Para quem compra uma opção de compra, ou call, o efeito pode ser rápido: se a ação se afasta do strike na direção contrária à esperada e o vencimento se aproxima, o prêmio pode perder grande parte do valor. ## Por que as opções variam tanto? Uma call dá ao investidor o direito de comprar uma ação pelo preço estabelecido no contrato, o strike. Quando a ação supera esse preço, a opção fica dentro do dinheiro (in the money, ou ITM). Quando permanece abaixo, está fora do dinheiro (OTM).
Perto do strike, é classificada como at the money (ATM). Antes do vencimento, porém, o preço também incorpora prazo e volatilidade. Por isso, contratos negociados por poucos centavos podem subir 100%, 200% ou quase 400% em poucas horas — e perder mais da metade do valor quando o movimento ocorre na direção contrária. Nesta segunda-feira, essa assimetria aparece com clareza: entre as opções monitoradas, as variações vão de +386,11% em Itaú a -56,60% em Vale.
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