Ações de construtoras disparam na B3 impulsionadas por prévias e queda nos juros com cenário político.

As ações de construtoras listadas no Ibovespa registraram fortes altas nesta sexta-feira, lideradas por empresas como MRV e Cury, após a publicação de dados preliminares do terceiro trimestre e em meio a um cenário de queda nas taxas de juros de longo prazo.

O movimento no mercado financeiro foi intensificado por um rali eleitoral, refletindo a reação de investidores a pesquisas recentes que apontam mudanças na disputa presidencial e alimentam expectativas de maior controle nas contas públicas no Brasil.

Apesar de resultados mistos e dos impactos causados pela greve da Caixa Econômica Federal no setor imobiliário, o otimismo prevaleceu na B3, conforme informação divulgada por money.

Desempenho de destaque da MRV

A MRV Engenharia e Participações liderou os ganhos do setor imobiliário no Ibovespa, com uma expressiva valorização de 21,62%, alcançando R$ 7,82 por ação ordinária no pregão desta sexta-feira.

A construtora encerrou o terceiro trimestre com uma geração de caixa de R$ 456 milhões e elevou suas vendas líquidas em 29,6%, totalizando R$ 3 bilhões, enquanto o valor médio dos apartamentos vendidos subiu para R$ 276 mil.

Analistas do Itaú BBA apontaram que a MRV apresentou desempenho misto, com ritmo de vendas sólido, embora os números tenham sido inflacionados por mudanças metodológicas no reconhecimento de receita.

Impacto da greve da Caixa

O Bradesco BBI ressaltou que, apesar da evolução consistente nos indicadores operacionais e vendas recordes, a geração de caixa da MRV ficou abaixo do esperado pelo mercado financeiro.

O principal fator negativo veio das dificuldades nas transferências bancárias provocadas pela paralisação, que reduziram a geração de caixa da companhia em aproximadamente R$ 80 milhões no período.

A construtora Tenda também sentiu os reflexos da greve, registrando pressões sobre os distratos, mas analistas avaliam que esses efeitos tendem a se normalizar no quarto trimestre.

Reação das taxas de juros e pesquisas eleitorais

As taxas dos DIs de longo prazo fecharam em baixa com investidores reagindo a pesquisas da AtlasIntel e do Datafolha que colocam o senador Flávio Bolsonaro na liderança da disputa presidencial no segundo turno.

Esse cenário político ofuscou a divulgação do IPCA acima das projeções em setembro, gerando expectativas de maior controle fiscal e abrindo espaço para projeções de juros mais baixos no país.

A menor percepção de risco fiscal reduziu prêmios na curva de juros futuros, beneficiando de forma direta as empresas do setor de construção civil na bolsa brasileira.

Perguntas Frequentes

Por que as ações de construtoras subiram na B3?

As ações subiram devido a uma combinação de prévias operacionais positivas do terceiro trimestre e à queda nas taxas de juros de longo prazo, impulsionadas pelo otimismo com o cenário eleitoral.

Como a MRV se saiu no terceiro trimestre?

A MRV registrou alta de 29,6% nas vendas líquidas, totalizando R$ 3 bilhões, e geração de caixa de R$ 456 milhões, embora tenha sido afetada por impactos da greve da Caixa.

Qual foi o impacto da greve da Caixa nas construtoras?

A greve prejudicou as transferências bancárias e aumentou os distratos, reduzindo a geração de caixa da MRV em cerca de R$ 80 milhões e pressionando temporariamente a Construtora Tenda.

O que motivou a queda nos juros de longo prazo na B3?

As taxas dos DIs caíram após pesquisas eleitorais mostrarem Flávio Bolsonaro na liderança, gerando expectativas de maior rigor fiscal e contas públicas equilibradas no Brasil.