Gestor da XP Asset explica por que investidores precisam reaprender a aplicar o dinheiro
O mercado global vive uma transformação estrutural que altera definitivamente a dinâmica dos investimentos de risco. Segundo Bruno Marques, gestor de multimercados da XP Asset, os juros em patamares elevados não são passageiros, mas uma nova realidade decorrente de governos endividados e empresas focadas em inteligência artificial.
Em entrevista recente ao podcast Touros e Ursos, o especialista destacou que o capital se tornou um recurso escasso e caro em todo o planeta. Essa escassez eleva a competição por recursos e força uma mudança profunda na mentalidade de quem investe no Brasil e no exterior.
A consequência direta afeta ações, fundos imobiliários e ativos de risco, que agora precisam disputar espaço com uma renda fixa extremamente atraente e de baixo risco, conforme informação divulgada por seudinheiro.
O impacto dos juros globais elevados nos ativos de risco
O cenário macroeconômico atual afasta o padrão observado nos anos 2010, quando as taxas permaneceram próximas de zero nas principais economias. Hoje, o mercado enfrenta a forte concorrência de títulos soberanos dos Estados Unidos pagando taxas historicamente expressivas.
Bruno Marques citou o exemplo do título de 30 anos do Tesouro americano, o Treasury, que rende cerca de 5,5% ao ano em dólar. Trata-se de uma remuneração sem precedentes nas últimas quatro décadas para um ativo considerado de baixíssimo risco cambial.
Com um juro de 6% no exterior e de 13% no Brasil, os investidores deixam de aceitar qualquer risco sem uma compensação adequada. Isso significa que ações e fundos imobiliários precisam provar alto valor para atrair recursos no mercado atual.
Por que a seleção de ações supera o investimento em índices
A volatilidade elevada e os volumes massivos movimentados por grandes fundos globais exigem uma postura muito mais seletiva dos investidores. Comprar índices inteiros por meio de ETFs pode não ser a melhor estratégia no ambiente econômico vigente.
Segundo o gestor da XP Asset, a escolha criteriosa de ações específicas trará resultados muito superiores à simples replicação de carteiras padronizadas. Setores diferentes reagem de maneiras distintas ao ciclo de juros e à recuperação da economia brasileira.
O especialista reforça que o investidor deve evitar decisões guiadas apenas por narrativas passageiras, valorizando a análise fundamentalista e a atuação de gestores profissionais especializados em navegar pela complexidade do mercado.
Destaques do cenário político e econômico no Touros e Ursos
Além da economia, o episódio do podcast abordou os principais tópicos positivos e negativos da semana política e financeira. Entre os pontos de atenção, Bruno Marques lamentou o aumento da polarização ideológica no país.
O gestor também pontuou as reviravoltas nas eleições para o governo do Rio de Janeiro como um destaque negativo do período. Por outro lado, enxergou com otimismo a possível mudança de rumos na gestão pública brasileira.
Essa perspectiva favorável gerou um forte rali nos títulos públicos brasileiros, com valorizações expressivas nos preços após o alívio na curva futura de juros e a expectativa por novas reformas estruturais.
Perguntas Frequentes
Por que os juros altos vão durar mais tempo segundo a XP Asset?
Os juros estruturalmente mais altos refletem o endividamento global dos governos e os investimentos recordes das empresas de tecnologia em inteligência artificial, que consomem o capital disponível no mundo.
Quanto rendem os títulos do Tesouro americano atualmente?
Atualmente, os títulos soberanos dos Estados Unidos de 30 anos pagam cerca de 5,5% a 6% ao ano em dólar, representando um retorno histórico para um ativo de baixíssimo risco.
Como a renda fixa afeta os investimentos em ações e fundos imobiliários?
A renda fixa com alta rentabilidade cria forte concorrência, exigindo que ativos de risco como ações e fundos imobiliários entreguem retornos muito superiores para atrair os investidores.
É melhor investir em índices ou escolher ações específicas no cenário atual?
Gestores recomendam a seleção cuidadosa de ações individuais em vez de comprar índices inteiros, pois a volatilidade alta exige seletividade e gestão profissional especializada.


