Índice calculado pela FGV acelera após alta nos preços ao produtor e pesada conta de luz residencial.

A inflação brasileira voltou a acelerar de forma expressiva no mês de setembro, puxada principalmente pelo encarecimento de commodities agrícolas e da energia elétrica nas residências. O movimento surpreendeu o mercado financeiro e acendeu novos alertas sobre o comportamento dos preços na economia nacional.

O indicador responsável por medir essa alta foi o IGP-DI, índice calculado pela Fundação Getulio Vargas, que registrou uma variação positiva de 1,50% no período. Com o resultado divulgado na quarta-feira, o termômetro econômico acumulou alta de 3,72% no ano e de 3,80% nos últimos doze meses, conforme informação divulgada por suno.

A virada no cenário inflacionário ocorreu após o índice registrar uma alta contida de apenas 0,06% em agosto. Agora, o avanço reflete pressões distribuídas desde a lavoura até a porta do consumidor final, impactando diretamente o custo de vida e a produção industrial, conforme apontam os levantamentos oficiais.

Como funciona o cálculo do IGP-DI

O Índice Geral de Preços da Disponibilidade Interna reúne três pesquisas distintas para capturar o movimento de preços na economia. O componente de maior peso é o IPA, representando sessenta por cento do total, focado nos preços ao produtor, tanto agrícolas quanto industriais.

A composição do indicador conta ainda com o IPC, que responde por trinta por cento e observa o custo de vida das famílias, além do INCC, com dez por cento, voltado para os custos da construção civil. Por causa dessa média ponderada, variações no atacado exercem grande influência no resultado final.

Principais vilões da inflação no atacado e no varejo

O economista Matheus Dias, do FGV IBRE, destacou que a aceleração veio dos preços ao produtor e ao consumidor. O IPA-DI disparou de 0,10% para 1,95%, pressionado por produtos como soja, farelo de soja, milho e gasolina automotiva, repercutindo dados do B3 Bora Investir.

No orçamento das famílias, medido pelo IPC, a taxa passou de uma queda de 0,37% para uma alta de 0,67%. O encarecimento da eletricidade residencial pesou após o fim do Bônus de Itaipu, acompanhado por altas expressivas em alimentos como tomate e batata-inglesa.

Diferença entre o IGP-DI e o IGP-M

Muitos cidadãos confundem o IGP-DI com o IGP-M, mas a diferença principal está no calendário de coleta dos dados. Ambos possuem a mesma metodologia e os mesmos pesos, mas o IGP-M pesquisa os preços entre o dia vinte e um do mês anterior e o dia vinte do mês de referência.

Já o IGP-DI adota um período de apuração mais amplo, considerando o mês inteiro, do primeiro ao último dia. Por essa razão técnica, os resultados numéricos podem apresentar divergências mesmo quando analisados para o mesmo mês de apuração.

Perguntas Frequentes

O que é o IGP-DI da FGV?

O IGP-DI é um índice de inflação calculado pela Fundação Getulio Vargas que mede a variação de preços desde a produção até o consumo final.

Por que o IGP-DI subiu em setembro?

O índice subiu 1,50% devido à alta de commodities agrícolas como soja e milho, além do encarecimento da energia elétrica residencial.

Qual a diferença entre IGP-DI e IGP-M?

A diferença está no período de coleta, sendo que o IGP-DI analisa o mês cheio, enquanto o IGP-M avalia do dia 21 do mês anterior ao dia 20 do mês atual.