Dia nacional de manifestações contra o custo de vida gera caos, incêndios e confronto na França
A França registrou um dia de extrema violência no último sábado, quando um protesto nacional contra o custo de vida reuniu milhares de cidadãos em diversas cidades, culminando em confrontos severos com as forcas de segurança, conforme informação divulgada por money.
De acordo com o balanço atualizado pelo Ministério do Interior, liderado por Laurent Nuñez, a mobilização resultou em mais de 1.800 pessoas presas e deixou mais de 150 policiais feridos em todo o território francês.
O primeiro-ministro Sébastien Lecornu condenou os atos de vandalismo e afirmou que foi um milagre o saldo de violência não ter sido maior, enquanto o presidente Emmanuel Macron prometeu punição rigorosa aos responsáveis pelos ataques e saques.
Protestos na França e destruição de prefeituras
O episódio mais simbólico da onda de violência ocorreu na cidade de Limoges, onde um incêndio criminoso destruiu grande parte da prefeitura histórica, provocando o desabamento do telhado com mais de 140 anos.
Outras cidades também sofreram depredações severas, como Marselha e Lille, cujas prefeituras foram invadidas, e Lyon, onde manifestantes atearam fogo no posto de turismo e um participante perdeu a mão.
Em Paris, a tensão se concentrou na Place de la République. O prefeito da capital, Emmanuel Grégoire, relatou que ruas inteiras foram devastadas durante os confrontos entre manifestantes e policiais.
Origem da crise e adesão de estudantes
A mobilização começou em meados de setembro em uma escola de Créteil, na periferia de Paris, onde estudantes protestavam contra salas superlotadas e falta de professores, espalhando-se rapidamente pelo país.
O movimento estudantil logo ganhou o apoio de professores, pais, centrais sindicais como a CGT, agricultores, ativistas climáticos e remanescentes do grupo conhecido como coletes amarelos.
As reivindicações ampliaram-se para incluir o preço dos combustíveis, aluguel, salários, melhores condições nos serviços públicos e um investimento de 10 bilhões de euros na educação.
Impacto fiscal e eleitoral para Macron
Os protestos intensificam a pressão sobre o governo de Emmanuel Macron, que tenta conter um déficit orçamentário superior a 5% do PIB em meio à alta nos rendimentos dos títulos públicos franceses.
A crise ocorre na reta final do mandato presidencial, a poucos meses da eleição de 2027, cenário em que Marine Le Pen, líder da extrema direita no partido Reunião Nacional, lidera as pesquisas de intenção de voto.
O governo apresentou uma proposta orçamentária prevendo 64 bilhões de euros para a educação, mas as entidades estudantis consideraram a medida insuficiente e mantêm a promessa de continuar a mobilização.
Perguntas Frequentes
Por que ocorreram os protestos na França?
Os protestos começaram devido à insatisfação com o custo de vida, deterioração de escolas públicas, inflação e demandas por melhores salários e serviços públicos.
Quantas pessoas foram presas durante os atos?
O Ministério do Interior da França confirmou que mais de 1.800 pessoas foram detidas após os confrontos generalizados e atos de vandalismo no sábado.
Quais danos materiais foram causados pelos manifestantes?
Houve saques em pelo menos nove cidades, além da destruição parcial da prefeitura histórica de Limoges, invasões em Marselha e Lille, e incêndios em Paris.
Qual é a posição do governo francês sobre a crise?
O presidente Emmanuel Macron e o primeiro-ministro Sébastien Lecornu condenaram a violência e prometeram punir severamente os vândalos, descartando o estado de emergência.


