Economista da Warren defende limite de gastos mais restritivo para o próximo presidente do país
O governo atual avançou consideravelmente na agenda econômica sob a gestão do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, mas precisará ir além no controle das despesas públicas para garantir a estabilidade da dívida do país.
A avaliação foi destacada por Felipe Salto, economista-chefe da Warren Investimentos, durante entrevista que abordou os desafios fiscais prioritários para o próximo presidente da República e a manutenção das regras vigentes.
Para alcançar um superávit primário robusto e conter o avanço das contas públicas, o especialista defende um ajuste estrutural profundo, conforme informação divulgada por moeny times.
Desafios do arcabouço fiscal atual
Segundo Felipe Salto, o maior erro seria descartar as normas atuais e discutir regras fiscais do zero, sendo fundamental preservar a estrutura do arcabouço fiscal que combina metas de resultado primário com teto para despesas.
No entanto, o economista aponta que é necessário tornar o limite de gastos mais restritivo, reduzindo o crescimento real das despesas de 2,5% para cerca de 1% ao ano, além de buscar soluções estruturais para os precatórios nos Três Poderes.
Propostas para cortar despesas obrigatórias
Em conjunto com o economista Josué Pellegrini, Felipe Salto elaborou um programa que reúne medidas cirúrgicas para conter o avanço das despesas primárias, que hoje crescem ao dobro do ritmo do PIB brasileiro.
Entre as propostas apresentadas estão a reformulação de aposentadorias e pensões, a revisão de gastos tributários, limites para emendas parlamentares e a criação de uma política específica para frear o crescimento dos supersalários.
Ajuste gradual para evitar recessão
O plano desenhado pelos especialistas prevê que a distribuição dos efeitos ao longo de quatro anos é a chave para evitar impactos recessivos na economia nacional, permitindo alcançar um superávit primário expressivo.
A execução gradual e planejada busca construir um programa politicamente viável, capaz de melhorar as expectativas do mercado financeiro desde o primeiro dia de anúncio e atrair investimentos para o país.
Perguntas Frequentes
O que Felipe Salto diz sobre o arcabouço fiscal?
O economista avalia que o governo avançou com Fernando Haddad, mas defende manter a estrutura atual do arcabouço fiscal e tornar o limite de gastos mais restritivo, reduzindo-o para cerca de 1% ao ano.
Quais são as principais medidas propostas para cortar gastos?
O programa elaborado por Felipe Salto e Josué Pellegrini sugere mudanças em emendas parlamentares, aposentadorias, supersalários, previdência dos militares e redução de benefícios tributários.
Como o ajuste fiscal pode estabilizar a dívida pública?
Com um superávit primário projetado em até 2% do PIB em quatro anos, a melhora nas contas públicas e a consequente queda nos juros permitirão estabilizar a relação entre dívida e PIB.


