Divisa americana fecha a R$ 4,9851 nesta sexta-feira impulsionada por pesquisas eleitorais e apetite por risco no exterior.

O dólar voltou a fechar abaixo de R$ 5 nesta sexta-feira, registrando uma queda acumulada de 4,44% na primeira semana após o primeiro turno das eleições presidenciais no Brasil.

A moeda americana encerrou a sessão cotada a R$ 4,9851, impulsionada pelo apetite por risco no exterior e pela repercussão de pesquisas eleitorais recentes que mexeram com as expectativas do mercado financeiro.

O movimento de valorização do real foi o destaque entre as principais moedas globais no período, conforme informação divulgada por suno.

Impacto das pesquisas eleitorais no câmbio

Segundo analistas ouvidos pelo mercado, o recuo do dólar está diretamente associado à repercussão dos levantamentos dos institutos Datafolha e AtlasIntel/Bloomberg, que apontaram Flávio Bolsonaro à frente de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno.

Os investidores interpretam uma possível mudança de comando no governo federal como uma oportunidade para alteração na política fiscal, o que inclui novas diretrizes para receitas, gastos públicos e endividamento do país.

Expectativa para o plano econômico

Ricardo Chiumento, head da Tesouraria do BS2, destaca que a retomada da queda ocorreu após um período de realização de lucros, momento em que investidores desfazem posições para embolsar ganhos anteriores acumulados no ano.

Contudo, o executivo alerta que uma desvalorização ainda maior da divisa, com o dólar a R$ 4,70, depende diretamente da apresentação de um plano econômico concreto, já que o candidato Flávio Bolsonaro chegou ao segundo turno sem uma equipe formada.

Limites impostos pelos juros globais

Marco Mecchi, diretor de investimentos da Azimut Brasil, chama atenção para a redução do diferencial entre as taxas de juros reais do Brasil e dos Estados Unidos, fator que diminui o atrativo das operações conhecidas como carry trade.

Já Mark McCormick, estrategista-chefe da BMO Capital Markets, avalia que a valorização do real foi rápida demais e projeta o dólar retornando a R$ 5,10 até o fim do ano, citando amarras constitucionais para o corte de gastos públicos.

Perguntas Frequentes

Por que o dólar caiu abaixo de R$ 5?

A queda do dólar ocorreu devido ao apetite por risco no exterior e à repercussão de pesquisas eleitorais que indicam expectativas de mudanças na política fiscal com um novo governo.

Qual foi o desempenho do real frente a outras moedas?

O real registrou o melhor desempenho global na semana após o primeiro turno eleitoral, acumulando queda de 4,44% na cotação do dólar e superando a maioria das divisas líquidas.

O dólar pode continuar caindo para R$ 4,70?

Especialistas apontam que novas quedas dependem da apresentação oficial de um plano econômico detalhado e da formação da equipe do candidato Flávio Bolsonaro para o segundo turno.