Cancelamentos no Minha Casa Minha Vida sobem, mas investidores mantêm compra
As construtoras Tenda (TEND3) e Cury (CURY3) enfrentaram uma disparada expressiva nos distratos imobiliários durante o terceiro trimestre, impulsionadas por critérios mais rigorosos da Caixa Econômica Federal e por uma greve bancária, conforme informação divulgada por seudinheiro.
Apesar do salto nos cancelamentos de contratos do programa Minha Casa Minha Vida, as ações das companhias registraram forte valorização na B3, refletindo a visão de analistas de mercado de que o impacto negativo é puramente temporário.
Gestores de fundos e analistas do setor de construção civil apontam que, com a normalização dos processos no banco público, a tendência é de alívio e retomada dos repasses, preservando as recomendações de compra para os papéis.
Impacto da Caixa Econômica Federal nos distratos
O principal gatilho para o aumento dos cancelamentos foi a postura mais restritiva adotada pela Caixa Econômica Federal na concessão de financiamentos habitacionais. O banco público passou a aprovar valores inferiores aos simulados inicialmente, pegando os compradores de surpresa.
Segundo gestores de mercado, com um endividamento das famílias brasileiras estimado em 81,7% pela CNC, o temor de inadimplência levou o banco a apertar o cerco. Uma breve redução no limite de comprometimento da renda também afetou a capacidade de compra.
Além disso, uma greve de funcionários da Caixa Econômica Federal em setembro paralisou as operações por quase 20 dias, travando as contratações e elevando o volume de vendas que precisaram ser desfeitas pelas construtoras.
Desempenho financeiro de Tenda e Cury
Nos números operacionais, os distratos da Tenda (TEND3) mais que dobraram em relação ao ano passado, desconsiderando a subsidiária Alea, enquanto o consolidado avançou 77,5%. A participação dos cancelamentos nas vendas brutas subiu de 12,5% para 19,5%.
Na construtora Cury (CURY3), os cancelamentos cresceram quase 60% na comparação anual e dobraram frente ao segundo trimestre, alcançando 15% das vendas brutas totais. O prejuízo exige esforço duplo de marketing para revender as unidades.
Para contornar o problema do pró-soluto, a Tenda (TEND3) adotou uma postura mais conservadora nas provisões e planeja reduzir gradualmente sua exposição ao risco de crédito após a entrega das chaves dos imóveis.
Por que os investidores ignoram o problema
Mesmo com o balanço pressionado pelos distratos, o pregão seguinte à divulgação das prévias operacionais foi marcado por alta expressiva para CURY3 e TEND3, embaladas pelo otimismo geral na Bolsa de Valores.
O mercado financeiro avalia que a normalização pós-greve e a acomodação dos critérios da Caixa Econômica Federal devem destravar os repasses. Instituições como o Itaú BBA projetam um alívio nos cancelamentos nos próximos meses.
Apesar de o BTG Pactual enxergar um cenário desafiador, a expectativa predominante entre os gestores é de que os efeitos negativos observados no trimestre sejam superados, mantendo o apetite pelos ativos do setor imobiliário.
Perguntas Frequentes
Por que os distratos de Tenda e Cury aumentaram?
O aumento ocorreu devido aos critérios mais rigorosos de financiamento da Caixa Econômica Federal e à greve de funcionários do banco público em setembro.
As ações de Tenda (TEND3) e Cury (CURY3) caíram com os distratos?
Não. No pregão após a divulgação das prévias, as ações de Tenda e Cury subiram, impulsionadas pela expectativa de que o problema seja temporário.
Como a Caixa Econômica Federal afeta o Minha Casa Minha Vida?
A Caixa passou a aprovar valores de crédito menores que os simulados e reduziu o limite de comprometimento da renda, gerando distratos por falta de recursos dos compradores.
O mercado financeiro está preocupado com o setor imobiliário?
Analistas e gestores mantêm recomendações de compra, apostando que a normalização dos repasses e o fim da greve vão aliviar os distratos futuros.


