Queda nas emissões de CRA revela migração para novos papéis isentos de imposto no agro

O Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) perdeu espaço no mercado de capitais brasileiro ao longo de 2026, com uma queda expressiva nas emissões registradas pelo setor produtivo nos últimos meses.

A mudança nos investimentos ocorre devido a ajustes regulatórios recentes que tornaram as regras mais rígidas para o uso do instrumento financeiro, redirecionando o capital para outras opções de renda fixa com isenção de imposto de renda.

Dados divulgados pela Anbima mostram que o dinheiro continua fluindo para o campo, mas por meio de rotas alternativas, conforme informação divulgada por seudinheiro.

Mudanças nas regras do Conselho Monetário Nacional

O CRA deixou de ser o destino exclusivo de quem buscava o agronegócio devido a alterações promovidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que impactaram diretamente a engenharia financeira das emissões.

Segundo Guilherme Maranhão, que atua como presidente do Fórum de Estruturação de Mercado de Capitais da Anbima, as novas exigências determinaram que a empresa emissora comprove receita expressiva ligada ao setor.

Para utilizar o instrumento, a companhia precisa comprovar atualmente que mais de dois terços de sua receita consolidada vêm diretamente das atividades do agronegócio brasileiro.

Crescimento acelerado dos Fiagros e da CPR-F

Enquanto o CRA registrou um recuo de 62,3% nas emissões entre janeiro e setembro de 2026, somando R$ 11,1 bilhões, outros ativos ganharam enorme tração no mercado financeiro.

As emissões da Cédula de Produto Rural Financeira (CPR-F) saltaram de R$ 3,9 bilhões para R$ 11,8 bilhões no período, consolidando um salto impressionante de 202,7% na captação.

Já os Fiagros alcançaram a marca de R$ 10,2 bilhões captados, registrando uma alta expressiva de 274,7% na mesma base de comparação anual avaliada pela instituição.

O novo mapa de financiamento do agronegócio

O novo cenário desenhado pelos dados da Anbima demonstra que os investidores mantêm o apetite pelo risco agrícola, mas diversificam as alocações em busca de rentabilidade e segurança jurídica.

A transição de recursos confirma que a cadeia produtiva encontrou novos canais eficientes para captar recursos diretamente no mercado de capitais sem depender exclusivamente do modelo tradicional.

A adaptação das gestoras e dos emissores reflete a maturidade do mercado financeiro nacional diante de um ambiente regulatório em constante transformação.

Perguntas Frequentes

O CRA está com os dias contados no agronegócio?

O CRA não vai acabar, mas perdeu espaço devido a regras mais rígidas do CMN, fazendo o dinheiro migrar para Fiagros e CPR-F.

Por que as emissões de CRA despencaram em 2026?

A queda ocorreu porque o Conselho Monetário Nacional exigiu que as empresas comprovem que mais de dois terços da receita venham do agro.

Quais papéis substituiram o CRA na renda fixa?

As Cédulas de Produto Rural Financeira (CPR-F) e os Fiagros registraram saltos expressivos de captação e lideram a nova fase de financiamento.

Quanto os Fiagros captaram segundo a Anbima?

Os Fiagros captaram R$ 10,2 bilhões entre janeiro e setembro de 2026, representando um crescimento de 274,7% em relação ao ano anterior.