Estudo do Made da FEA-USP revela impacto de benefícios na economia de municípios fora das metrópoles

Uma eventual estagnação ou corte em benefícios sociais e previdenciários pode causar uma retração severa na atividade econômica de cerca de 4 mil municípios do interior do Brasil, conforme alerta um levantamento inédito divulgado nesta semana.

A pesquisa foi realizada pelo Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades, conhecido como Made, vinculado à Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo, a FEA-USP, detalhando a alta dependência financeira dessas localidades em relação às transferências públicas.

O impacto afeta diretamente o comércio local, o nível de emprego e a arrecadação municipal, conforme informação divulgada por money, acendendo um alerta para políticas públicas de proteção à renda e combate à pobreza no país.

Impacto na economia dos municípios

Segundo a co-diretora do Made-USP, a economista Luiza Nassif, aposentadorias, o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada possuem um peso significativo e chegam a representar quase metade do orçamento das famílias mais pobres nas cidades fora das regiões metropolitanas.

A especialista destaca que, como o valor recebido é usado quase integralmente para a aquisição de itens de primeira necessidade, o dinheiro circula imediatamente no comércio local, garante empregos e mantém a arrecadação municipal ativa de forma contínua.

No Ceará, por exemplo, os benefícios sociais e previdenciários respondem por 22% da renda agregada da capital, enquanto nas cidades do interior esse patamar sobe expressivamente para 40%, demonstrando a vulnerabilidade econômica dessas regiões sem os repasses federais.

Projeção de retração na renda

O estudo do Made-USP projetou os efeitos econômicos para os próximos três anos, comparando o cenário de ganhos reais do salário mínimo com o contexto de congelamento total e ausência de reajustes entre 2019 e 2022.

Sem a valorização, a renda agregada do interior do país sofreria uma retração severa, ficando entre 6,8% e 10,8% abaixo do patamar esperado, gerando uma reação em cadeia prejudicial inclusive para moradores que não dependem do socorro público.

Os cenários mais críticos indicados pela pesquisa ocorreriam no interior do Rio Grande do Norte, Amapá e Piauí, com quedas entre 17% e 18%, seguidos por Amazonas, Sergipe, Pernambuco, Ceará, Maranhão, Alagoas e Bahia.

Riscos de alta na pobreza

Além dos danos macroeconômicos, o levantamento aponta que os benefícios desempenham um papel decisivo no combate à miséria, sendo que qualquer reajuste abaixo da inflação empurra famílias inteiras diretamente para a linha da pobreza.

Simulações indicam que a ausência de ganhos reais entre 2022 e 2025 teria empurrado aproximadamente 2,7 milhões de pessoas para a pobreza nos municípios do interior, sendo 2,4 milhões delas direcionadas para a extrema pobreza.

As maiores altas absolutas ocorreriam em estados populosos como Bahia, São Paulo e Minas Gerais, reforçando a necessidade de manter a valorização real da previdência, do BPC e dos programas de transferência de renda como garantia mínima de dignidade.

Perguntas Frequentes

O que diz o estudo da USP sobre os auxílios sociais?

O levantamento do Made-USP aponta que cortes ou estagnação em benefícios como Bolsa Família, BPC e aposentadorias podem causar uma retração severa na economia de cerca de 4 mil municípios do interior do Brasil.

Qual é o impacto dos benefícios sociais no interior do país?

Nas cidades fora das regiões metropolitanas, os benefícios sociais chegam a representar quase metade do orçamento das famílias mais pobres, movimentando o comércio local, garantindo empregos e mantendo a arrecadação ativa.

Quais estados seriam mais afetados pela queda na renda?

O estudo aponta que os impactos mais críticos ocorreriam no interior do Rio Grande do Norte, Amapá e Piauí, com quedas de renda entre 17% e 18%, além de perdas expressivas em estados como Amazonas, Sergipe, Pernambuco e Bahia.

Quantas pessoas poderiam entrar na pobreza sem os reajustes?

Simulações da pesquisa indicam que a ausência de ganhos reais nos benefícios poderia empurrar cerca de 2,7 milhões de pessoas para a pobreza nos municípios do interior, sendo 2,4 milhões na extrema pobreza.