Saiba quais empresas lucram com juros menores e como ajustar sua carteira com a Selic em queda.

Com a taxa Selic em patamares elevados e o mercado financeiro projetando cortes futuros, o BTG Pactual realizou um estudo estratégico para identificar quais companhias da Bolsa brasileira mais se beneficiam e quais perdem espaço em um cenário de juros menores, conforme informação divulgada por seudinheiro.

A análise do banco avaliou o impacto de uma redução nos juros sobre os lucros esperados para 2027 de cerca de cem empresas listadas, considerando o nível de endividamento corporativo, a exposição ao crédito e a sensibilidade dos diferentes setores da economia nacional.

A projeção baseia-se em dados do boletim Focus do Banco Central, que aponta juros mais baixos nos próximos anos, criando um ambiente favorável para renegociação de dívidas e expansão das margens de lucro em setores historicamente pressionados pelo custo do dinheiro.

Empresas endividadas lideram ganhos

A lógica apontada pelo BTG Pactual é direta, pois quando a taxa Selic cai, a dívida corporativa indexada a ela fica mais barata, reduzindo a despesa financeira e ampliando o lucro líquido das empresas. O setor de varejo destaca-se intensamente, registrando que 82% da dívida está atrelada à taxa básica de juros, além de impulsionar as vendas conforme o crédito fica acessível.

Entre as companhias que apresentam impactos superiores a 10% no lucro projetado para 2027 com um corte de um ponto percentual nos juros estão a Ecorodovias, a Minerva, a Hapvida e o Magazine Luiza. Outros nomes como Energisa, Equatorial, PagSeguro, Randon, Simpar, Movida, Vamos e Assaí também figuram na lista dos principais beneficiados pela virada monetária.

Bancos e empresas com caixa sofrem com a queda

Por outro lado, o levantamento demonstra que o cenário se inverte para bancos e seguradoras, que tradicionalmente lucram com juros altos no curto prazo, resultando em um desempenho potencialmente mais fraco para esses papéis nos próximos meses. Empresas que possuem forte posição de caixa líquido também saem perdendo, pois o rendimento financeiro diminui com a queda da taxa básica.

O BTG Pactual cita como exemplos desfavoráveis a maioria das companhias do setor de tecnologia, como Intelbras e Locaweb, além de grandes corporações consolidadas como WEG, Ambev, B3 e Cury, cuja rentabilidade financeira atrelada ao caixa sofre retração em um ambiente de juros atenuados.

Setores favoritos do BTG Pactual

Para aproveitar o ciclo de baixa, o BTG Pactual prefere empresas com duration longa, bom momento de lucros, valuation atrativo e fundamentos sólidos. Nos segmentos de infraestrutura e locadoras, destacam-se Localiza, Movida e Vamos, enquanto no setor elétrico e de saneamento aparecem Equatorial, Energisa e Sabesp, beneficiadas por dívidas de longo prazo.

Nas construtoras de médio e alto padrão, o financiamento mais barato estimula a venda de imóveis, criando um paralelo histórico com o ciclo de alta rentabilidade visto entre 2016 e 2019. No segmento de shopping centers, empresas como Multiplan, Iguatemi e Allos também apresentam perspectivas positivas de geração de caixa com a retração dos juros.

Perguntas Frequentes

Quais empresas mais lucram com a queda da Selic segundo o BTG?

Empresas com alto endividamento indexado à taxa básica, margens líquidas baixas e forte correlação com o crédito, como Ecorodovias, Minerva, Hapvida e Magazine Luiza, lideram os ganhos projetados pelo BTG Pactual.

Por que bancos e seguradoras perdem com juros menores?

Bancos e seguradoras tendem a lucrar com patamares elevados de juros no curto prazo, de modo que o ciclo de cortes da Selic reduz a rentabilidade dessas instituições financeiras e o rendimento de suas operações.

Quais setores o BTG Pactual recomenda para investir com a Selic em baixa?

O banco prefere companhias de duration longa em infraestrutura, locadoras de veículos, concessionárias de energia elétrica, saneamento básico e construtoras de médio e alto padrão, além de administradoras de shopping centers.